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terça-feira, 11 de outubro de 2011

TST referenda proposta da empresa, mas considera nossa greve legítima


A Justiça burguesa deu o seu veredicto ignorando os milhares de trabalhadores que estão há 27 dias parados em tentativa de negociação com a intransigência do governo, a decisão foi visivelmente de cima pra baixo.
A Justiça deu o seu veredicto não como um órgão que procura corrigir as distorções sociais e garantir o equilíbrio social, mas deferindo, quase que na integralidade, a proposta do empregador. De forma contraditória considerou a não abusividade da greve e ao mesmo tempo, descontou sete dias integralmente, determinando que compensássemos os outros e dando aumento a partir de Outubro e não de Agosto (data-base do nosso dissídio) e ainda “criticou” os trabalhadores por não terem aceitado a proposta de acordo do judiciário.
Que democracia é essa em que os trabalhadores são convidados a negociar e não podem recusar uma proposta feita pelo judiciário? Pra que servem os sindicatos e as assembleias se as instituições que zelam pelo direito neste país são os censores dos trabalhadores?
Como se não bastasse a crítica desnecessária por parte do judiciário, desconsiderar que a nossa data-base é em Agosto também não soa bem em se tratando de direitos trabalhistas.
A impressão que temos é a de que ao povo é dado apenas o direito de calar, aceitar o que vem de cima para baixo. Mas, ainda não encerramos oficialmente essa greve: assembleias virão na quinta-feira e podemos abrir o peito e dizer que não nos calamos, que fomos às ruas sim, que denunciamos esse governo e que tivemos a oportunidade de negar uma proposta intermediada pelos Excelentíssimos Ministros do TST e assim conhecer as práticas de outra instância do poder público.
Os ilustríssimos deputados já conhecíamos, depois do aumento salarial de 61% que a presidenta Dilma assinou em baixo no início do ano. Agora tivemos a oportunidade de conhecer o Judiciário que ao referendar os ataques da empresa, não só nos restringiu direitos, mas acaba de alimentar ainda mais a nossa descrença nas instituições deste país.
Toda greve é vitoriosa porque trás à tona nossas necessidades como trabalhadores e como cidadãos. Toda greve é um risco: às vezes ganhamos o que pedimos, outras não. Nunca sairemos derrotados de uma greve, derrotado é aquele que se acostuma ser explorado e oprimido, é quem reclama o ano todo e não tem forças e atitude suficientes para tentar mudar.

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