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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Correios investem em propaganda, mas se recusam a dar um reajuste digno aos trabalhadores

          A ECT vem argumentando no seu “Primeira Hora” que os sindicatos não querem negociar, que as cláusulas econômicas, se atendidas, ultrapassariam os lucros e que percentual de 43,7 % exigido pelos trabalhadores são inviáveis devido à crise econômica. Esses são os argumentos que a empresa encontrou para propor o vergonhoso reajuste salarial de 3% que fica aquém da inflação do período, estimada em mais de 6%.  É importante compreender que os 43% proposto pelos sindicatos se compõe de um pedido de aumento real e de uma reparação de perdas salariais, sendo 10% referente a 2012, mais 33,7% dos últimos anos.

Os trabalhadores dos Correios amargam perdas salariais históricas, chegando ao ponto de hoje ganhar menos de dois salários mínimos, o menor salário das estatais. Some-se a isso o aumento da lucratividade e a exploração nos setores de trabalho.
A receita de vendas da ECT em 2010 alcançou a vultosa quantia de R$ 12,69 bilhões, um aumento de 10,5% em relação a 2009. Entre 2002 e 2010, o tráfego postal cresceu em média 5% ano, bem acima da média de crescimento do PIB que no mesmo período registrou média de 3,64%. O aumento da receita se deve principalmente ao aumento dos serviços de mensagens e encomendas.
            As reinvindicações econômicas dos trabalhadores são legítimas e quem deve reformular a sua proposta é a empresa, pois oferecer índice abaixo da inflação significa dizer que a empresa está tirando dinheiro do nosso bolso para capitalizar o governo em meio à crise econômica.
            Há uma ação judicial contra os Correios que já se aproxima de um milhão de reais, referente à impressão de calendários 2012. Sim. Calendários 2012! Se já não bastassem as quantias milionárias destinadas ao financiamento na área do esporte e cultura, temos que arcar com os custos do marketing corporativo. O que os trabalhadores dos Correios querem é um salário digno que contemple suas necessidades. Não é preciso calendário para lembrar o ano todo que devemos sobreviver com menos de dois salários mínimos, não é preciso eventos esportivos como Copa do Mundo e Olimpíadas que enriquecem mais empreiteiras e aumentam o abismo social entre ricos e pobres.
            É importante a união e a mobilização dos trabalhadores neste momento. Os boletins da empresa muitas vezes cumpre o papel de confundir e anular a luta dos trabalhadores. Por isso é importante a participação dos trabalhadores nas assembleias da categoria.
A luta dos trabalhadores só é exitosa quando é feita com determinação e consciência. Não a consciência dos poderosos, mas a consciência do trabalhador que cotidianamente convive com exploração e baixos salários.




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