"Como já diz a música: "_... a porteira está aberta para
quem quiser passar..." E quem mais passou foram os sindicalistas
petistas, que trocaram o macacão pela gravata e a graxa pelo ar
condicionado".
Na
segunda metade da década de 70, com o fenômeno da mobilização dos
trabalhadores a partir do eixo ABC paulista, surge a necessidade da
reorganização da classe nos sindicatos e consequente retomada da direção
dos mesmos do controle da CGT e seus sindicalistas pelegos. É uma época
de ascenso, com a fundação do PT e da CUT e grandes conquistas sociais e
trabalhistas a partir das ocupações no campo e nas cidades e das greves
gerais dos anos 80.
Com ampla aceitação
popular, o PT se transforma num fenômeno eleitoral e, a passos largos,
abandona o corpo a corpo das mobilizações em prol das relações íntimas
com os labirintos da burocracia parlamentar. A pseudo-democracia
burguesa cobra seu preço, e já na metade da década de 90 o Partido dos
Trabalhadores trocou de vez a presença na luta pela participação nas
urnas. O PT patrão absorve a cartilha do capital e pipocam as denúncias
de repressão nas greves contra a Erondina em São Paulo,Tarso em Porto
Alegre ou Benedita no Rio de Janeiro. E contra esses governos a CUT já
não se dispunha a ecoar.
Apesar dos pesares, a ilusão de um Brasil vermelho levou à
experiência com Lula, e o PT aprofundou com louvores a política de
conciliação de classes proposta pelo PDT de Brizola e a Força Sindical
do Medeiros. Como já diz a música: "_... a porteira está aberta para
quem quiser passar..." E quem mais passou foram os sindicalistas
petistas, que trocaram o macacão pela gravata e a graxa pelo ar
condicionado. Uma hipérbole na história do movimento, que substituiu os
pelegos da CGT pelos pelegos da CUT.
É nesse contexto que surge a Conlutas, uma proposta de
retomada do movimento operário de luta a partir da experiência de uma
vanguarda que não sucumbiu ao canto da sereia neoliberal. Entre
denúncias e enfrentamentos diretos com o governo, apresenta-se como
alternativa de fato no processo de resistência contra o capital e seus
testas de ferro( judiciário, legislativo, executivo e imprensa)

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