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| Antigo Prédio dos Correios e Telégrafos |
A Praça
da Alfândega, em Porto Alegre, chama a atenção pela arborização e pelos prédios
históricos que compõem a sua paisagem. Dentre eles, um nos chama mais a
atenção: o antigo prédio dos Correios e Telégrafos. Quem nunca ouviu colegas mais antigos comentando que começaram a desempenhar suas funções ali? Que no passado
eram mais bem remunerados, que a parte da triagem não era feita pelo carteiro,
que se deslocavam de lá para outras regiões da cidade... Enfim, muitas mudanças
aconteceram ali, naquele espaço físico que hoje serve apenas como um grande
monumento construído com o suor de muitos trabalhadores ecetistas.
O Prédio dos Correios e
Telégrafos
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| Parte Lateral Vista da Atual Sede da EBCT |
A
construção do prédio que abrigou a sede dos Correios e Telégrafos foi iniciada
em 30/09/1910 e concluída em 31/12/1913. A execução do projeto foi confiada ao engenheiro
Rodolfo Ahrons e ao arquiteto Theodor Wiederspahn. O estilo arquitetônico é
marcado pela tendência às formas abarrocadas.
A
firma de Ahrons foi escolhida por ser sólida e representar a comunidade alemã,
que vinha constituindo-se em relevante segmento econômico da sociedade gaúcha.
O Governo positivista julgava importante se aproximar dela, pois representava
uma forte aliada política.
A
decoração do prédio ficou sob a responsabilidade da oficina de esculturas de
João Vicente Friederichs que, a partir de então, se projetou na comunidade. O
Engenheiro Rodolfo Ahrons queria que as esculturas privilegiassem uma linguagem
mais familiar ao público, reportando-o ao seu cotidiano.
O
grupo principal de esculturas pretendia evidenciar os serviços prestados pelos
correios unindo os continentes. Três figuras compõem este grupo: ao centro uma
figura masculina (Atlante) curvada pelo peso do Globo que carrega nas costas;
dos lados um mulher e um adolescente também empenhados em levantar o globo. A
figura feminina representa a Europa e o adolescente a América.
Mais
dois grupos de esculturas na fachada evidenciam uma linha familiar: a mãe que
enlaça o filho com um braço e com o outro segura uma carta (mostrando a dor da
separação dos imigrantes e a função doméstica da mulher como base da família).
A
ideia de mostrar nas esculturas as expectativas dos imigrantes agradava ao
governo positivista. Havia, nesse período, uma política de incentivo à
imigração e sua integração à economia colonial.
- Um dos principais arquitetos da história do Estado, Theodor Wiederspahn nasceu na Alemanha em 1878
- Veio para o Brasil em uma leva de engenheiros e arquitetos alemães que, com a proclamação da República aqui e a crise econômica na Europa, buscavam trabalho no país
- Radicado em Porto Alegre, participou da onda de construções da década de 1920 na cidade
- Trabalhava com o estilo eclético, reunindo traços renascentistas, neobarrocos e neoclássicos, ao lado de uma concepção decorativa luxuosa
- Ele projetou os prédios da Delegacia Fiscal (atual Margs), Correios e Telégrafos ( Memorial do RS), Banco da Província (Santander Cultural), Hotel Majestic (Casa de Cultura Mario Quintana), Edifício Chaves, Cine Guarany, Cervejaria Bopp (ex-Brahma, hoje Shopping Total), Faculdade de Medicina da UFRGS e Hospital Moinhos de Vento. São mais de 500 projetos, inclusive em cidades do Interior.
A instituição Memorial do Rio Grande do Sul
A ideia da criação de uma instituição que
privilegiasse a cultura gaúcha surgiu entre 1995 e 1996, sendo concretizada
através de um convênio entre o governo federal e o estadual, em setembro de
1996. Ficou acertado, nessa ocasião, que a sede dos Correios e Telégrafos por
quase um século, abrigaria um local de difusão de cultura e memória
rio-grandense. O acordo de cedência do prédio implicou também a criação de um
Museu Postal e uma Agência Filatélica. O ato de criação deu-se pelo decreto
estadual nº 39.9861.17 e a abertura ao público ocorreu em 26 de junho de 2000.
O projeto de restauração foi previamente
aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional),
uma vez que o prédio foi tombado em 1980.
O antigo prédio dos Correios e Telégrafos
foi totalmente revitalizado para abrigar a Instituição. Surgiu, dessa forma, um
centro de informação e divulgação da história do Estado, reunindo objetos,
mapas, gravuras, fotos, livros, imagens iconográficas e depoimentos importantes
sobre os principais fatos ocorridos no Rio Grande do Sul. O riquíssimo acervo
está exposto através de uma concepção museográfica moderna, permitindo, assim,
a integração com o público e o fácil entendimento dos conteúdos.
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| Colunas Personagens |
- Linha do Tempo, uma exposição de caráter permanente, instalada no saguão do prédio, indicando os principais eventos que modelaram a história e a identidade do povo gaúcho. É uma exposição interativa que abrange 52 módulos e 36 painéis temáticos com textos, ilustrações e mapas.
- Colunas Personagens, uma adaptação das grandes colunas do saguão para receberem reproduções de documentos, fotografias, desenhos e biografias que contextualizam historicamente a vida de personagens importantes para a memória estadual.
- Sala Verde dos Correios, administrada por uma parceria entre os Correios e o Ministério do Meio Ambiente, apresentando material de pesquisa, publicações e atividade de outras instituições voltadas à preservação e conscientização ambiental.
- Museu Postal, onde se preservam relíquias como caixas postais antigas, objetos de escritório e mobiliário usado no antigo Correios e Telégrafos.
No
início do século passado, os turistas chegavam pela alfândega do porto,
que constituía a principal porta de entrada para a cidade. Por isso, o
governo republicano e positivista da época (Carlos Barbosa e Borges de
Medeiros) trataram de abrir uma avenida (atual Sepúlveda) do porto até o
Palácio (esse projeto não foi concluído, provavelmente porque
implicaria em derrubar prédios importantes na época); a alfândega do porto foi
equipada com vitrais da França, e a área da atual Praça da
Alfândega foi aterrada (em 1911), e nos dois lados foram
construídos os magníficos prédios dos Correios e Telégrafos, e do
atual MARGS. Logo adiante, o visitante podia ver outros dois prédios
vistosos: do Clube do Comércio e do que viria a ser, depois, o Cine
Guarany (atual Banco Safra): O
entorno da Praça da Alfândega era considerada a "Broadway de Porto
Alegre"; os investimentos na área continuaram, porque constituem o
"coração pulsante da cidade". Na década de 60 (1967), foi
iniciado um grandioso projeto, que foi a construção do maior edifício
da cidade, até os dias atuais, denominado Santa Cruz, com 33 andares;
em meados da década de 70, outro prédio expressivo foi construído, para
constituir o edifício-sede da Caixa Econômica Federal no RS, que tem
numa das paredes externas belíssimas gravuras
relativas ao modo de vida do gaúcho;
na década de 80, na esquina das
ruas Andradas e Caldas Júnior, onde se situava antigamente o famoso
"Grande Hotel", foi construído um Shopping Center, com
outros prédios funcionais, inclusive um novo "Grande Hotel".
Memorial do Rio Grande do Sul
Rua Sete de Setembro, 1020 - Praça da Alfândega - Centro Histórico - Porto Alegre - RS - CEP: 90010-191
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 18h.
http://www.memorial.rs.gov.br/
www.terragaucha.com.br



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