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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Minha opinião sobre contratações, redistritamento e transferências


Trabalhadores Antonio de Carvalho Greve 2011

AOS COLEGAS DO CDD ANTONIO DE CARVALHO



Com certeza, muitos colegas lembram-se das manifestações e da importante união dos trabalhadores na campanha salarial do ano passado. A maior greve já feita em toda a história dos correios, com maior tempo de duração, totalizando 28 dias de luta. Infelizmente não alcançamos todas as conquistas que desejávamos. Naquela ocasião os Correios tinham em seu quadro de funcionários os chamados MOTs (Mão de Obra Terceirizada), que trabalharam durante todo o período de greve e camuflaram a verdadeira adesão dos colegas carteiros que estiveram na luta. No CDD Antônio de Carvalho o movimento grevista foi tão forte que apenas 10 “coleguinhas” ficaram trabalhando. Só conseguiram suportar os efeitos da greve, por tanto tempo, devido aos 21 MOTs contratados para àquela unidade.  
Uma de nossas reinvindicações era a abertura de concurso público para 30 mil novas vagas que estavam faltando, comprovadas pelos estudos feitos por sindicatos de todo o Brasil. A diretoria dos Correios fez pouco caso e considerou um absurdo essas contratações. Menos mal que o concurso foi realizado, mas infelizmente apenas 10 mil vagas foram abertas.  Para a realidade do CDD Antônio de Carvalho essas contratações fizeram pouca ou nenhuma diferença no aumento do número de funcionários do CDD, já que as vagas vieram em substituição aos MOTs. Por outro lado, considero importante às novas contratações, pois NOSSOS NOVOS COLEGAS CONCURSADOS TÊM DIREITO DE SE EXPRESSAREM, MANIFESTANDO SUAS IDÉIAS E QUESTIONAMENTOS. Nesse ponto acredito que o CDD teve sorte, pois a maioria dos novos colegas tem personalidade e caráter pra se impor e expor suas ideias, e demonstraram essa coragem quando não aceitaram o ASSÉDIO MORAL que, aliás, estava virando rotina no nosso CDD. Sei que ainda acontecem casos isolados, mas devemos estar unidos e em constante diálogo com os colegas para que atitudes como essa não se repitam, denunciando e prevenindo o assédio moral no ambiente de trabalho. 
A greeve é um direito!
A Empresa parece, mas não é burra. Aproxima-se a Campanha Salarial 2012, portanto, não é por coincidência que ela acaba de anunciar em seu “Primeira Hora” a ampliação do quadro de funcionários em 9.904 novas vagas, sendo que a autorização do ministério do planejamento prevê que o preenchimento das vagas se dê de forma escalonada, 3.302 vagas para contratação imediata a partir de 1º de julho, 3.301 a partir de 1º de janeiro de 2013 e 3.301 a partir de 1º de abril de 2013. Então fica a pergunta: Por que não contrataram esses funcionários juntos com as contratações feitas no fim do ano passado, quando uma de nossas reinvindicações na luta eram 30 mil novas vagas? Eu mesmo respondo e justifico o porquê de não os considerar burros. Essas contratações acontecerão agora para tentar enfraquecer nossa Campanha Salarial, pois sem a presença dos MOTs, os trabalhadores recém-contratados, ainda em contrato de experiência, estarão impedidos de fazer greve. Se somássemos os contratados do fim do ano passado a essas novas vagas anunciadas, ainda não teríamos o número de funcionários necessários para aliviar nosso sofrimento diário de sobrecarga e suprir a defasagem dos distritos. O Redistritamento é um assunto que também me causa grande revolta, há 12 anos não se implanta um novo redistritamento em nossa unidade.  O último, aprovado há dois anos, quando o gerente ainda era o Denilson, ainda não foi implantado. NADA. Só enrolação. Todas as reuniões que aconteciam no CDD, perguntávamos sobre a implantação do redistritamento, mas sempre havia uma desculpa para não ser implantado. Agora, parece que irão implantar, trouxeram pessoas de fora para ajudar, estão trabalhando bastante. Há mais de 2 semanas colam etiquetinhas nos escaninhos do agrupamento 914. Já existiam piadas com esse assunto no CDD, diziam que o redistritamento só sairia do papel quando o Corinthians fosse campeão da Copa Libertadores da América. Isso aconteceu, o Corinthians foi campeão e o redistritamento continua no papel. Diante da demora, adaptaram a piada e já dizem que o redistritamento só será implantado se o Corinthians ganhar do Chelsea na final do mundial. Não tem problema, pra quem já está esperando há 12 anos por um novo redistritamento, Dezembro está logo ai. Vamos esperar e torcer.
É importante falar também sobre as falsas transferências, onde só a matricula é transferida. O trabalhador continua na unidade de origem, com a promessa de ser alocado na unidade de destino assim que possível. Uma enrolação descarada.
Por estar indignado com tudo isso e por mais alguns detalhes que me foge à memória agora, peço que cada um dos meus colegas reflita bem na decisão que irão tomar nessa Campanha Salarial, pois neste momento é importante estarmos mais unidos.
            A HORA É AGORA, A GREVE ESTÁ CHEGANDO, E NENHUM MOT IRÁ NOS ATRAPALHAR. Convido os colegas que ano passado aderiram à greve a permanecer na luta. Os que não fizeram greve ano passado e os novos colegas são muito importantes para que juntos possamos fortalecer essa unidade e construir uma greve ainda mais forte, com maiores conquistas e resultados muito melhores pra todos nós.  ATÉ A VITÓRIA!!!

Luis Alexandre

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Unidade na luta se faz com pauta, calendário e mesa de negociação única


Pelo esclarecimento da situação de encarceramento de operários de Jirau-RO e imediata solução com a libertação dos companheiros

Todos acompanhamos os episódios ocorridos nas Usinas de Jirau no início deste ano. Deles, deu-se muito destaque ao que se denominou “violência” dos operários, acusados de incendiar os barracões que seriam de alojamento e outras instalações das obras. Não teve o mesmo destaque nos noticiários, nem mobilizou com tanta presteza as autoridades os abusos e desrespeitos aos direitos dos trabalhadores que eram praticados naquelas instalações, conforme vários relatórios do Ministério Público do Trabalho. A expressão mais evidente desta desigualdade é o fato de o Estado de Rondônia ter instalado uma delegacia de polícia dentro da obra, para vigiar os operários. Note-se que não foi instalada nenhuma delegacia do Ministério do Trabalho para fiscalizar o cumprimento da legislação trabalhista pelas empresas e para zelar pelos direitos dos trabalhadores.
Consideramos inaceitável que Jhonata Lima Carvalho, funcionário da Enesa Engenharia e membro da Comissão de Operários formada na última greve; e Carlos Moisés Maia da Silva, cipeiro da Camargo Correa, presos desde o dia 4 de abril, continuem detidos no Presídio Urso Branco, em Rondônia, sem que tenha sido esclarecido o porque dessa prisão. As Centrais Sindicais, Federações e Confederações que assinam este texto, consideram inadmissível a continuidade dessa situação.
Pedimos que sejam tomadas todas as providencias necessárias, pelo governo federal (Advocacia Geral da União, Ministério da Justiça, Secretaria de Direitos Humanos), e pelas empresas, para libertação dos companheiros presos, para dar celeridade as devidas investigações e para que cessem os processos criminais contra trabalhadores.
Brasília, 03 de julho de 2012

Central Única dos Trabalhadores
Força Sindical
CTB
UGT
NCST
CSP-Conlutas
Fenatracop
Conticom
Contricon

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Assédio Moral: Os espaços da humilhação

A empresa

  • Começar sempre reunião amedrontando quanto ao desemprego ou ameaçar constantemente com a demissão.
  • Subir em mesa e chamar a todos de incompetentes.
  • Repetir a mesma ordem para realizar uma tarefa simples centenas de vezes até desestabilizar emocionalmente o trabalhador ou dar ordens confusas e contraditórias.
  • Sobrecarregar de trabalho ou impedir a continuidade do trabalho, negando informações.
  • Desmoralizar publicamente, afirmando que tudo está errado ou elogiar, mas afirmar que seu trabalho é desnecessário à empresa ou instituição.
  • Rir a distância e em pequeno grupo; conversar baixinho, suspirar e executar gestos direcionado-os ao trabalhador.
  • Não cumprimentar e impedir os colegas de almoçarem, cumprimentarem ou conversarem com a vítima, mesmo que a conversa esteja relacionada à tarefa. Querer saber o que estavam conversando ou ameaçar quando há colegas próximos conversando.
  • Ignorar a presença do/a trabalhador/a.
  • Desviar da função ou retirar material necessário à execução da tarefa, impedindo o trabalho.
  • Exigir que faça horários fora da jornada. Ser trocado/a de turno, sem ter sido avisado/a.
  • Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador.
  • Voltar de férias e ser demitido/a ou ser desligado/a por telefone ou telegrama em férias.
  • Hostilizar, não promover ou premiar colega mais novo/a e recém-chegado/a à empresa e com menos experiência, como forma de desqualificar o trabalho realizado.
  • Espalhar entre os colegas que o/a trabalhador/a está com problemas nervoso.
  • Sugerir que peça demissão, por sua saúde.
  • Divulgar boatos sobre sua moral. 

Ambulatório das empresas e INSS

Essa é uma forma recorrente de Assédio que muitas vezes passa despercebida
  • Sofrer constrangimento publico e ser considerado mentiroso.
  • Ser impedido de questionar. Mandar calar-se, reafirmando sua posição de ’autoridade no assunto’.
  • Menosprezar o sofrimento do outro.
  • Ridicularizar o doente e a doença.
  • Empurrar de um lugar para outro e não explicar o diagnóstico ou tratamento recomendado.
  • Ser tratado como criança e ver ironizados seus sintomas.
  • Ser atendido de porta aberta e não ter privacidade respeitada.
  • Ter seus laudos recusados e ridicularizados
  • Não ter reconhecido seus direitos ou não ser reconhecido como ’um legitimo outro’ na convivência.
  • Aconselhar o/a adoecido/a a pedir demissão.
  • Negar o nexo causal.
  • Dar alta ao adoecido/a em tratamento, encaminhando para a produção.
  • Negar laudo médico, não fornecer cópia dos exames e prontuários.
  • Não orientar o trabalhador quanto aos riscos existentes no setor ou posto de trabalho.

Política de reafirmação da humilhação nas empresas

a) com todos os trabalhadores
  • Estimular a competitividade e individualismo, discriminando por sexo: cursos de aperfeiçoamento e promoção realizado preferencialmente para os homens.
  • Discriminação de salários segundo sexo.
  • Passar lista na empresa para que os trabalhadores/as se comprometam a não procurar o Sindicato ou mesmo ameaçar os sindicalizados.
  • Impedir que as grávidas sentem durante a jornada ou que façam consultas de pré-natal fora da empresa.
  • Fazer reunião com todas as mulheres do setor administrativo e produtivo, exigindo que não engravidem, evitando prejuízos a produção.
  • Impedir de usar o telefone em casos de urgência ou não comunicar aos trabalhadores/as os telefonemas urgentes de seus familiares.
  • Impedir de tomar cafezinho ou reduzir horário de refeições para 15 minutos. Refeições realizadas no maquinário ou bancadas.
  • Desvio de função: mandar limpar banheiro, fazer cafezinho, limpar posto de trabalho, pintar casa de chefe nos finais de semana.
  • Receber advertência em conseqüência de atestado médico ou por que reclamou direitos.
b) discriminação aos adoecidos e acidentados que retornam ao trabalho
  • Ter outra pessoa no posto de trabalho ou função.
  • Colocar em local sem nenhuma tarefa e não dar tarefa. Ser colocado/a sentado/a olhando os outros trabalhar, separados por parede de vidro daqueles que trabalham.
  • Não fornecer ou retirar todos os instrumentos de trabalho.
  • Isolar os adoecidos em salas denominadas dos ’compatíveis’. Estimular a discriminação entre os sadios e adoecidos, chamando-os pejorativamente de ’podres, fracos, incompetentes, incapazes’.
  • Diminuir salários quando retornam ao trabalho.
  • Demitir após a estabilidade legal.
  • Ser impedido de andar pela empresa.
  • Telefonar para a casa do funcionário e comunicar à sua família que ele ou ela não quer trabalhar.
  • Controlar as idas a médicos, questionar acerca do falado em outro espaço. Impedir que procurem médicos fora da empresa.
  • Desaparecer com os atestados. Exigir o Código Internacional de Doenças - CID - no atestado como forma de controle.
  • Colocar guarda controlando entrada e saída e revisando as mulheres.
  • Não permitir que conversem com antigos colegas dentro da empresa.
  • Colocar um colega controlando o outro colega, disseminando a vigilância e desconfiança.
  • Dificultar a entregar de documentos necessários à concretização da perícia médica pelo INSS.
  • Omitir doenças e acidentes.
  • Demitir os adoecidos ou acidentados do trabalho.

    Danos da humilhação à saúde

    A humilhação constitui um risco invisível, porém concreto nas relações de trabalho e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, revelando uma das formas mais poderosa de violência sutil nas relações organizacionais, sendo mais freqüente com as mulheres e adoecidos. Sua reposição se realiza ’invisivelmente’ nas práticas perversas e arrogantes das relações autoritárias na empresa e sociedade. A humilhação repetitiva e prolongada tornou-se prática costumeira no interior das empresas, onde predomina o menosprezo e indiferença pelo sofrimento dos trabalhadores/as, que mesmo adoecidos/as, continuam trabalhando.
    Freqüentemente os trabalhadores/as adoecidos são responsabilizados/as pela queda da produção, acidentes e doenças, desqualificação profissional, demissão e conseqüente desemprego. São atitudes como estas que reforçam o medo individual ao mesmo tempo em que aumenta a submissão coletiva construída e alicerçada no medo. Por medo, passam a produzir acima de suas forças, ocultando suas queixas e evitando, simultaneamente, serem humilhados/as e demitidos/as.
    Os laços afetivos que permitem a resistência, a troca de informações e comunicações entre colegas, se tornam ’alvo preferencial’ de controle das chefias se ’alguém’ do grupo, transgride a norma instituída. A violência no intramuros se concretiza em intimidações, difamações, ironias e constrangimento do ’transgressor’ diante de todos, como forma de impor controle e manter a ordem.
    Em muitas sociedades, ridicularizar ou ironizar crianças constitui uma forma eficaz de controle, pois ser alvo de ironias entre os amigos é devastador e simultaneamente depressivo. Neste sentido, as ironias mostram-se mais eficazes que o próprio castigo. O/A trabalhador/a humilhado/a ou constrangido/a passa a vivenciar depressão, angustia, distúrbios do sono, conflitos internos e sentimentos confusos que reafirmam o sentimento de fracasso e inutilidade.
    As emoções são constitutivas de nosso ser, independente do sexo. Entretanto a manifestação dos sentimentos e emoções nas situações de humilhação e constrangimentos são diferenciadas segundo o sexo: enquanto as mulheres são mais humilhadas e expressam sua indignação com choro, tristeza, ressentimentos e mágoas, estranhando o ambiente ao qual identificava como seu, os homens sentem-se revoltados, indignados, desonrados, com raiva, traídos e têm vontade de vingar-se. Sentem-se envergonhados diante da mulher e dos filhos, sobressaindo o sentimento de inutilidade, fracasso e baixa auto-estima. Isolam-se da família, evitam contar o acontecido aos amigos, passando a vivenciar sentimentos de irritabilidade, vazio, revolta e fracasso.
    Passam a conviver com depressão, palpitações, tremores, distúrbios do sono, hipertensão, distúrbios digestivos, dores generalizadas, alteração da libido e pensamentos ou tentativas de suicídios que configuram um cotidiano sofrido. É este sofrimento imposto nas relações de trabalho que revela o adoecer, pois o que adoece as pessoas é viver uma vida que não desejam, não escolheram e não suportam.
 Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Assédio Moral: Parte II



É de fundamental importância que os trabalhadores saibam identificar as diferentes formas de abordagem dos patrões, pois muitas vezes o assédio moral acontece de forma mascarada e vai se adaptando as novas realidades que se impõe. Ás vezes, uma mudança nos critérios de avaliação de desempenho, por exemplo, pode ser o estopim para o surgimento de um chefe autoritário e agressivo. Por isso é importante que os trabalhadores estejam devidamente esclarecidos e de posse dessas informações. Boa leitura.

Perfil dos agressores segundo trabalhadores

De maneira bem humorada, a classificação dos agressores:
Perfil dos agressores segundo trabalhadores

 
Profeta: Sua missão é "enxugar" o mais rápido possível a "máquina", demitindo indiscriminadamente os trabalhadores/as. Refere-se às demissões como a "grande realização da sua vida". Humilha com cautela, reservadamente. As testemunhas, quando existem, são seus superiores, mostrando sua habilidade em "esmagar" elegantemente.
Pitt-bull: é o chefe agressivo, violento e perverso em palavras e atos. Demite friamente e humilha por prazer.
Troglodita:
É o chefe brusco, grotesco. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Sempre está com a razão. Seu tipo é: "eu mando e você obedece".
Tigrão:
Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos.

Mala-babão:
É aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Persegue e controla cada um com "mão de ferro". É uma espécie de capataz moderno.
Grande irmão: Aproxima-se dos trabalhadores/as e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um, independente se intra ou extra-muros. Na primeira "oportunidade", utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador, para rebaixá-lo, afastá-lo do grupo, demiti-lo ou exigir produtividade.
Garganta:
É o chefe que não conhece bem o seu trabalho, mas vive contando vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. Submete-o a situações vexatórias, como por exemplo: colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferior à sua função.
Tasea:
"Ta se achando".
Confuso e inseguro. Esconde seu desconhecimento com ordens contraditórias: começa projetos novos, para no dia seguinte modificá-los. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. Se algum projeto é elogiado pelos superiores, colhe os louros. Em caso contrário, responsabiliza a "incompetência" dos seus subordinados.


Estratégias do agressor
  • Escolher a vítima e isolar do grupo.
  • Impedir de se expressar e não explicar o porquê.
  • Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos pares.
  • Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
  • Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
  • Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool.
  • Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.
  • Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade.
A explicitação do assédio moral:
Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar, risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do/a outro/a, estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho, colocá-los/as em situações vexatórias, falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele/a que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo do/a subordinado/a, não explicar a causa da perseguição, difamar, ridicularizar.
As manifestações do assédio segundo o sexo:
Com as mulheres: os controles são diversificados e visam intimidar, submeter, proibir a fala, interditar a fisiologia, controlando tempo e freqüência de permanência nos banheiros. Relaciona atestados médicos e faltas a suspensão de cestas básicas ou promoções.
Com os homens: atingem a virilidade, preferencialmente.

Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tenho muito medo do discurso do medo



"Boa parte dos trabalhadores que entraram na linha do consumo, há poucos anos, adota com facilidade o discurso conservador. Conquistaram algo com muito suor e têm medo de perder o pouco que têm, o que é justo e compreensível (...) Afirmam que, se eles trabalharam duro e chegaram onde chegaram sozinhos, é injusto sem-teto, sem-terra ou indígenas conseguirem algo de “mão-beijada” por parte do Estado. Ignoram que o que é defendido por esses excluídos é apenas a efetivação de seus direitos fundamentais: ou a terra que historicamente lhes pertenceu ou a garantia de que a qualidade de vida seja mais importante do que a especulação imobiliária rural ou urbana".
  Por: Leonardo Sakamoto


O medo é construído diariamente por uma sociedade que torna os objetos uma estrada para alcançar a felicidade. Se perdemos o objeto, perdemos quem somos, perdemos nossa inserção e o reconhecimento à nossa existência. Se não temos, deixamos de existir. Argamassa fundamental para o fortalecimento do medo, portanto, são os discursos de pânico, que amplificam aquilo que seria apenas local, tornado universal por conta do poder de reverberação de determinado grupo atingido. O medo dos mais ricos torna-se o medo dos mais pobres – por mais que os mais pobres tenham um milhão de razões a mais para sentir medo e não apenas aquela. Medo dos mais ricos, inclusive.
Criamos desejos coletivos e, consequentemente, frustrações coletivas de ter e não ter. Vale lembrar das propagandas aspiracionais. Anúncios de carros de meio milhão em canais abertos de TV quando o mais lógico, a um observador desavisado, seria colocá-los em revistas AAA ou divulgar o produto pessoa a pessoa. Mas essas propagandas não são para o consumidor do produto e sim para aqueles que não podem tê-lo a fim de fomentar o desejo coletivo e, dessa forma, aumentar o valor do bem, posicionando-o socialmente.
(Quem acha que o preço tem a ver apenas com o custo do produto deveria acompanhar uma operação de libertação de trabalhadores escravizados em uma oficina de costura que fornece para marcas caras.)
Assim vamos hierarquizando objetos e criamos símbolos sociais.
Ao invés de preparar as futuras gerações para o “ser” sendo mais importante que o “ter” (as mudanças necessárias no modelo de desenvolvimento passam por aí, até porque o planeta não aguenta essa corrida de ter cada vez mais), estamos fazendo com que elas entrem nesse jogo de que ser é mostrar que se tem. Um amigo jornalista me perguntou se eu acreditava que isso era possível. Bem, não sei se conseguiríamos, pois esse discurso não é aleatório, mas serve a um propósito. Faz parte da estrutura de defesa e reprodução do capitalismo. Ou seja, seriam necessárias mudanças estruturais, pois o discurso é consequência, não causa.
Contudo alguma alteracão é condição para continuarmos vivendo nesta sociedade. O discurso do medo retroalimenta a violência. É forjado em série por uma classe social mais rica e seus comunicadores (nós) que mantemos a estrutura do jeito que ela sempre foi, reverberando-o – muitas vezes – de forma acrítica a outras classes, que adotam o discurso.
Boa parte dos trabalhadores que entraram na linha do consumo, há poucos anos, adota com facilidade o discurso conservador. Conquistaram algo com muito suor e têm medo de perder o pouco que têm, o que é justo e compreensível. Mas isso tem consequências. Em pesquisas de opinião sobre a reforma agrária, por exemplo, quem tem pouco adota por vezes um discurso violento, que seria esperado dos proprietários de terra e não de trabalhadores. Afirmam que, se eles trabalharam duro e chegaram onde chegaram sozinhos, é injusto sem-teto, sem-terra ou indígenas conseguirem algo de “mão-beijada” por parte do Estado. Ignoram que o que é defendido por esses excluídos é apenas a efetivação de seus direitos fundamentais: ou a terra que historicamente lhes pertenceu ou a garantia de que a qualidade de vida seja mais importante do que a especulação imobiliária rural ou urbana.
E que dignidade não é algo que tem que ser conquistado a duras penas através do esforço individual, mas faz parte do pacote de direitos sociais, econômicos, culturais e ambientais que você deveria ter acesso simplesmente por ter nascido. Ignoram porque aprenderam que as coisas são assim.
O contato com o “outro”, e com suas diferenças, contribui para fomentar a consciência – coisa que não se aprende nos bancos de escola, mas no trato com a sociedade. Não através do filtro dos jornais e das lentes de TVs, mas pelo diálogo direto. Só dessa forma poderemos entender o que leva a termos determinados comportamentos e aceitar certas visões de mundo sem questionar. Informação não basta, caso contrário os mais escolarizados teriam um comportamento mais aberto aos direitos sociais e humanos, o que não é – necessariamente – verdade. Deve-se saber como trabalhar com essa informação que recebemos, refletir sobre ela e sobre nós mesmos.

 *Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

 Blog de Leonardo Sakamoto:


 http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/